Refúgio


Ela abria a porta de sua casa. Claro que não havia ninguém, a não ser ela mesma. Acendeu as luzes da sala. A casa estava impecável, mas ela. Ela não. Cansada, ela suspira e joga suas chaves e bolsa em qualquer canto do cômodo e caminha para a escuridão do corredor, que dava para os quartos.

Já sabia todo o formato da casa. Mesmo que estivesse na escuridão, deitou-se em sua cama, e com sua mão foi apalpando o lado onde ficava o abajur, para acendê-lo. Acendeu. Nele, saia uma luz verde bem fraca, usada apenas para clarear minimamente o grande quarto.

O telefone, que também havia no quarto, começou a tocar. Podia ser sua mãe, sua irmã, seu pai ou seu marido. Mas nada importava, para ela.Mas ela suspirou, novamente. Pensou:

“Novamente vão querer me guiar, ditar o caminho que devo seguir, o que tenho que fazer. Todos. Todos eles. Fico triste por isso, pois nenhum ali se salva. Todos gananciosos, controladores, ambiciosos. Querem sempre mais e mais, nunca estão contentes com o que ganho, com o que cresço a cada dia. Até o marido eles escolheram, e eu, boba, cai numa armadilha ridícula dessa. Cansei disso!”

O telefone parou. Minutos depois começou a tocar novamente e assim foi sucessivamente. A mulher, ainda deitada, dormia. Estava num sonho. Um sonho do qual não queria mais acordar.

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