Um pedaço


“Um pedaço de cetim… Não! De seda! Acho que é melhor”

Até hoje não entendo essas palavras. Podem ser simples para vocês, mas para mim não. Acreditem, não é o que está na cara. Tem algo aí, e que me dá comichão.

Se passaram sete dias desde da frase e eu me pergunto todo santo dia o que aquilo significa. E a cretina não dá chances para eu descobrir. Mas amanhã eu vou conseguir. Ah se vou!

Podem não acreditar, mas mesmo tendo apenas 16 anos, sei muito bem entender coisas que moleques da mesma idade nunca conseguiriam. Não que eu me ache superior, mas sei que agora sou capaz de ir afundo nessa situação e entender de vez essas palavras.  Quero saber, conte-me Stacy, conte-me.

– Ei, Stacy, me explique – Sim, eu acabo de encostar minha mão num de seus ombros. Nem eu creio que fiz isso. – É…

– O quê, meu caro?

Estou suando frio… Por quê? Eu nunca consegui agir direito ao lado dela…Maldição! Eu tenho que falar, vai, moleque!

– Eu queria que você me explicasse aquela frase…: “Um pedaço de cetim. Não! De seda. Eu acho melhor.”

– Will, estávamos falando de tecidos.. Acho que é bem normal eu falar nomes típicos do assunto.

– Não… Tem algo diferente nessa frase. Metáfora… Me explique-a, você comparou a quem? Eu sinto que tem algo aí.

Engoli em seco. Falei rápido demais. O que será que ela vai pensar? Will, seu cabeça dura! Seja educado pelo menos!

– Desculpe…Apenas me explique, por favor. É só o que lhe peço.

Um riso? Por que ela está rindo? Um riso cínico? Como devo agir, eu não se…

– Você não deixa escapar nada quando é dos outros, né, Willian? Já pensou em ser psicólogo?

– As pessoas normalmente dizem isso pra mim… Mas…

– Pena que é algo negativo sobre você.

Ahnnn? Negativo? Mas o que fiz? Eu não sei…Que gelo na barriga é esse? Medo?

– O… quê? Stacy, o que está havendo?

– Seda é melhor… Você é liso que nem esse tecido. Se preocupa com os mínimos detalhes dos outros, mas não vê que nunca explicou coisa alguma sobre a si mesmo para nós. Quer xeretar nos nossos assuntos, mas não vê que pra nós, você é um completo estranho. Não sabemos nem onde você mora. Isso passou despercebido, não? Não estou dizendo que você é ruim, mas isso se torna desgastante.

**

É, agora vejo sim. Me lembro que deu as costas e nem olhou para trás. Fiquei plantado em choque no meio do corredor da escola. Devia ter falado…

Devia ter falado o quanto eu gosto dela. Devia ter dito o que mais gosto, o que normalmente eu faço. Eu não quero perceber ela, quero que ela me perceba.

Droga, já se passaram 3 meses…


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