Capítulo 19


Fanfic: Uma nova Esperança

Cap19

Depois de um bom tempo pensando e tentando dormir, Kimine consegue cair no sono. Ali mesmo, na varanda. Suas costas estavam encostadas na parede, sentada. Não estava dormindo profundamente, mas já ia ajudá-la a passar o dia  seguinte, sem muito desgaste.

Rin estava na cozinha, ainda sonolenta. Queria água, mas não estava acostumada com a casa, não achando copos. Até que viu um copo na pia. Já sem paciência para continuar a procurar, pega aquele copo mesmo, dando uma lavada na torneira. Ao encher o copo, vai até a varanda para tomar um ar, afinal, estava calor. A morena olhou de lado e viu que Kimine dormia. Ela voltou até a cozinha para deixar o copo e foi até a varanda novamente. Resolveu se aproximar da loira. A cutucou três vezes. Quando ia encostar nela de novo, Kimine acordou assustada e rapidamente foi se arrastando pra longe da morena. Ainda ofegante, ela se recompõe, ficando em pé. Rin observou tudo sem entender nada, ainda agachada.

–         O que pensa que está fazendo? – Diz Kimi-chan meio nervosa.

Rin se levanta, se arrependendo de acordar a garota, mesmo assim responde, já brava, também:

–         Eu só queria ajudá-la. Eu só ia falar para você subir e dormir na cama, que com certeza está mais confortável. Você deveria me agradecer por isso.

Kimine estava totalmente alterada. Acorda-la era como relembrar de todo seu passado, e definitivamente, ela não queria isso. Ela não se conteve e estorou:

–         Maldição! Quem mandou você fazer isso? Ninguém pediu! Você tem noção do que fez? Tá pedindo pra morrer?

A primeira coisa que a loira viu – Um balde médio que uma das enteadas acabou esquecendo pelo corredor da varanda -, o chutou fortemente, extremamente irritada.

**

Machi ouviu do quarto o primeiro grito da amiga e viu que ela não estava no quarto. Desceu para acalmar os ânimos e se deparou com Momiji, que também ouviu os gritos. Ele ia interferir, mas Machi o impediu, tendo uma ideia. Cochichou:

–         Espere, pode sair algo dessa briga. Lembra que do que ela falou pra gente? Kimi-chan não vai brigar com Rin.

Talvez Machi estivesse certa, então o loiro resolveu esperar. Mas não tinha certeza se Kimine iria se segurar, até porque, nunca tinha visto Kimine tão irritada como agora.

**

Kimine já estava pronta para brigar, seus olhos diziam isso. E não seria uma briga normal, a coisa seria feia. Rin, por sua vez, se defende, respondendo:

–         Eu não te acordei pra brigarmos, para você saber. Eu só vim tomar uma água e resolvi fazer essa merda de te acordar. Desculpa se não posso nem fazer isso com você, garota. Mas se você quer brigar, vamos nessa…

Kimine apenas parou, como um estalo. Não falou nada e nem fez nada. Só olhou para baixo, com os punhos ainda fechados, mas sem ação. Ela deu um grande suspiro e voltou a olhar para Rin. Ela tentou ao máximo não chorar, mas mesmo assim caiu algumas lágrimas por seus olhos. Era um choro discreto, de desculpas e de arrependimento.

–         Me desculpa, eu também não quero brigar.

Rin fica totalmente surpresa, ela fica olhando para Kimine para ver se ela vai explicar algo, afinal, essa parada repentina não teve sentido nenhum. Rin não sabia como agir.

A loira sentou no chão e se acalmou por completo. Ela passou sua mão no cabelo e suspirou. Finalmente disse:

–         Mas por favor, não me faça mais ficar nervosa. Eu não quero ser assim. Não quero ser como ele.

Rin se acalmou também e resolveu conversar com a loira. O que mais pensava era de não ter feito nada. Ter sossegado no seu quarto. Mas como estava ali, talvez pudesse entender a garota:

–         Ele quem?

–         Meu pai. Não, ele não era exatamente violento. Ele era muito pior.

Kimine se calou por um tempo. Não sabia se deveria contar… Kimi olhou para Isuzu. Um olhar vazio. Os fechou e voltou a falar:

–              A verdade é que ele teve vários problemas em sua vida inteira e acabou desencadeando numa doença psicológica. Ele tinha vários gênios. Podia estar calmo uma hora, triste outra, violento outra, desesperado outra, feliz…enfim. Tudo dependia do momento. Ele já foi um ótimo pai como um péssimo. Ele já foi uma boa pessoa e uma extremamente ruim. Isso o levou a loucura. – Depois de muito falar, Kimine respira profundamente e morde os lábios, se segurando para não chorar. – Isso significa que pode ser hereditário, posso ter chances de ter a mesma doença. Mas por ser psicológica, posso mudar o rumo dessa história. Eu já vivi muito tempo com minhas próprias pernas, guardando dores, sentimentos, pensamentos. Só para não virar um pesadelo pras pessoas próximas a mim e até as que eu nunca vi. As vezes eu não consigo me segurar e isso resulta nas brigas que tenho, mas também sei que me provocam e eu não deixo barato exatamente por causa disso. – Ela olha para os cantos da casa e pensa numa forma de continuar a falar. Passa suas mãos em seu rosto, pelos cabelos e finalmente continua – Eu já tentei ao máximo tirar esse pesadelo de mim, mas não consigo – Finalmente Kimine cai no choro e tentando se segurar para poder falar uma última frase, tenta limpar as lágrimas com a mão. – Eu…Eu não consigo fazer isso sozinha.

Rin entrou em choque com o que acabara de ouvir. Ela tenta formar palavras mas apenas se senta ao lado de Kimine. Rin entendeu que a loira não era ruim, era até parecida com ela. Ela se lembrou do momento que Tohru a ajudou tempos atrás.

Kimine não parava de chorar e acabou se apoiando em Rin.

–         Por isso, eu peça desculpas – A loira diz, soluçando bastante.

–         Não peça, apenas chore. – Rin coloca sua mão na cabeça de Kimine e pela primeira vez ri. Fracamente, mas ri.
**

Do lado de fora, Machi e Momiji principalmente – Na altura do campeonato, Yuki e Haru já estavam na sala – estavam pasmos com o que ouviram. Momiji já segurava o choro, com as mãos na boca e fechando os olhos. Machi estava cabisbaixa, apenas pensando. Mas ambos estavam sentindo os mesmo sentimentos, a mesma dor da amiga. Os dois olham para Yuki e Haru, que balançam a cabeça positivamente. No mesmo momento os dois vão de encontro com Kimine. Machi senta do outro lado dela. Já o loiro, senta à frente da garota, descendo da varanda. O garoto, praticamente chorando, diz para Kimine, que ficou totalmente surpresa com presença dos dois.

–         Você não está mais sozinha, Kimi-chan. Eu farei o possível e o impossível para você nem ouvir falar de solidão.

–         Kimine, você não tem ideia do quanto você me ajudou até hoje. Está na hora de eu fazer isso – Complementa Machi, com toda sua sinceridade. – Você conseguiu me tornar uma pessoa melhor, uma pessoa que se importa com os outros. Eu quero ajuda-la no que for preciso. Estarei ao seu lado sempre. Então, não precisa mais chorar por isso.

Kimine não tinha palavras para respondê-los. A loira apenas abriu os braços, para abraçar os dois amigos. Rin havia saído dali, mas sorria por ver aquele momento, juntamente com Yuki e Haru. Kagura simplesmente não ouviu nada e continuou a dormir. Yuki resolveu falar:

–         No momento que buscamos a felicidade, e temos uma pontinha de esperança, nos tornamos pessoas incrivelmente fortes. Todos nós buscamos e quando a realizamos, algo explode dentro de nós. Não há maneiras de entender isso, apenas ficamos felizes. Kimine está com essa esperança, e vejo que realizará seu desejo. Não sei porque, é apenas intuição.

Kimine chorou, mas dessa vez, foi por felicidade.


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