Capítulo 21



Fanfic: Uma Nova Esperança

Cap 21

–         Na verdade não sei quando começou. Eu era muito pequena para entender tudo que se passava ali. Eu lembro de discussões na escola, porque meus pais e e meus problemas já aconteciam naquela época. Lembro de discussões em casa, com vizinhos. Isso eu ainda tinha uns 7 anos. Quando eu menos percebi, eu já sentia pavor dele – Kimine pegou a jarra e encheu o copo com água. Após um gole, continuou – A cada mês, a cada dia ele piorava, ele se tornava cada vez mais insano. Eu sabia que coisas desagradáveis e tristes tinham acontecido, mas… Não sabia que iria fugir do controle do jeito que ocorreu. Ele já estava doente demais para tentar lutar, para tentar viver. Ele ficou louco de vez quando eu tinha uns 10 anos.

Yuki interrompeu, perguntando:

–         Desculpe, mas esses acontecimentos com seu pai foram ao mesmo tempo? Foram sucessivos?

–         Ahn… Meu pai perdeu o emprego por mal comportamento, então não arrumava emprego fixo. Dependíamos do emprego da minha mãe, mas tinha um problema. O Chefe dela era  tão apaixonado por ela a ponto de mandar entregar rosas lá em casa. Meu pai pirava. Não conseguia se estabilizar, e tinha que engolir aquilo. – Kimine fez um pausa para tossir e continuou – Mas acho que a pior notícia foi quando soube da morte da minha tia, ou seja, irmã dele. Ela era mais nova, mas arranjou confusão com Yakuzas… E a mataram. Meu pai entrou e choque. Lembro dele pálido e triste. É uma longa história. Mas foram fatos que fizeram ele perder a cabeça totalmente. Nem minha mãe conseguia acalmá-lo, como sempre conseguiu.

A loira olhou para o copo que havia enchido, angustiada. Era como tudo tivesse ficado frio em segundos. Kimine parecia outra pessoa. Ela fechou os olhos, cerrou os dentes e colocou a mão em seu rosto. Ela olhou para os três: Machi, Yuki e Momiji e segurou o choro.

–         Kimi-chan… – Momiji falou, preocupado – Não precisa dizer mais nada. Esquece isso, dói de ver você assim… – O loiro levantou rápido, e ficou de frente para Kimine. Ele queria ar, queria sair dali, mas lembrou que estavam na casa da amiga, que tinham almoçado mais cedo. Rindo, felizes. Ele apertou as mãos, com raiva daquilo ter sumido, não via maneiras de mudar aquela situação.

Kimine observou o gesto do garoto e logo depois virou o rosto de lado e cerrou os dentes. Voltou-se para o coelho e falou, autoritária:

–         Sente-se! Não importa como você me vê nesse momento. Você contou sua história pra mim, droga! Deixe-me contar. Mesmo que me doa!

Momiji arregalou os olhos e logo os abaixou, triste. Ele suspirou e voltou a sentar. Machi e Yuki apenas observaram, mas no momento que Momiji sentou, Machi desabafou:

–         Maldição, coelho! Deixe ela explicar. É a vontade dela que está na mesa!

O loiro murmurou um “desculpe” e esperou Kimine continuar. Ele olhou para a garota e pensou:

“Eu só quero ver seu sorriso de novo. Aquele sorriso… Eu não quero vê-la triste… Nunca…”

Kimine tomou outro gole d’água e continuou:

–         Enfim. Meu pai estava doente. No começo ele ficava com muita raiva, mas depois foi caindo no desespero, descrença de que as coisas voltariam a ficar boas. Ele perdeu tudo, até o sentimento por nós, e cometeu uma loucura. Uma coisa que me tira o sono em muitas noites… – Ela lambeu seus lábios, pensando numa forma de continuar. Ela olha para os três, e começa novamente –     Numa noite ele entrou no meu quarto e começou a falar coisas horríveis – “A culpa não é sua, é minha” “te matar e depois me matar”. Eram frases que nunca saíam da cabeça de Kimine. – Mas minha mãe interveio e eles acabaram começando uma briga. Eu não consigo me lembrar das palavras que falavam. Eu ainda estava em choque com as palavras de meu pai… Eu só lembro que ele pegou uma marreta… – A garota coçou a cabeça, tentando explicar melhor –  Ahn… Sabe aqueles mini-brinquedos feitos com o material do objeto original? Então, era uma marretinha pesada pra caramba. Ficava no meu quarto também, mas no alto da estante – Kimine explicava friamente, mas se via um pouco de nervosismo em suas mãos, e da quantidade de suor. E não era por causa do Verão.

–         Eles foram para sala. Meu pai ainda segurava aquele objeto, querendo ameaçar. Era horrível. mesmo não entendendo o que saiam de suas bocas, eu estava apavorada, sabia que meu pai estava pirando como nunca. Para me proteger, fiquei atrás do sofá… Na verdade, não sei nem como fui parar ali… Não me lembro.

Dessa vez, a loira começava a segurar o choro. A angustia pairava em seu olhar. Ela queria que tudo aquilo que saia de sua boca fosse mentira – Mas não era – Queria apagar aquelas lembranças de sua mente – Mas não conseguia – Ela sonhava em dizer que teve uma família feliz – Mas tudo não passava de um sonho – As lágrimas começaram a cair. Mesmo assim tirou forças para falar… Mas Machi interrompeu:

–         Calma! Beba um pouco de água. Nós três estamos aqui. Não é como antes. Você não está mais sozinha.

A garota obedeceu. Bebeu todo o restante que havia no copo e limpou seu rosto. Ao ouvir a amiga, se tranquilizou para voltar a falar:

–         Minha mãe estava com muito medo dele. Mesmo com alguns ataques de raiva, dessa vez ele estava fora de si… Ele ficou tão nervoso que jogou a marreta no nosso aquário. O aquário era grande o bastante para voar vários cacos em volta. E… O aquário ficava justamente perto do sofá onde eu estava.

Kimine se levantou e ergueu a perna para mostrar a cicatriz na batata da perna direita. Momiji fechou os olhos e abaixou a cabeça. Era demais para ele suportar tudo aquilo que ouvia.

–         A primeira foi essa. Simplesmente entrou quando tentei me proteger. Eu senti uma dor incomum e logo vi o sangue escorrendo. Meu pai gritava… Tudo aquilo era insuportável. Eu saí de trás do sofá, para tentar mostrar que não estava bem, para ver se aquilo parava…

–         Papai… Minha per… – Kimine entrou em choque. Ela parou no meio de alguns cacos que ainda restavam. Sua perna sangrava, e seus pés descalços pisavam em pequenos cacos. Mas não importava, ela vira algo muito pior.

Seu pai apontava uma arma para sua mãe. Mãe de Kimine entrou em puro pavor. Dizia “não” várias vezes. Até que veio os disparos. Foram três ao todo.

Kimine ficou em pé, imóvel e em silêncio total. Lembrar daquilo era torturante demais… Algumas lágrimas caíram. Ela continuou:

–         Meu pai… Ele tinha uma arma em casa. Para o caso de se proteger.  Estava em suas mãos agora…Estava lá… Eu fiquei perplexa. Também queria que aquilo fosse mentira… – Desciam mais lágrimas, mas ela continuou – Meu pai atirou 3 vezes na minha mãe. Eu vi aquilo… Lembro de lágrimas no meu rosto, mas eu apenas cai… Minhas forças sumiram, dissiparam.

Ela passou os braços no rosto, limpando as lágrimas e mostrou as outras cicatrizes. Algumas novas como uma na barriga, pequena também, e pequenas “manchinhas” no braço ou no rosto. Exceto a do ombro. A loira fechou os olhos e adquiriu forças para concluir:

–         Eu fiquei caída, sem saber o que fazer ou pensar. Chorava de dor e tristeza. Tudo foi tão rápido, não acreditava que aquilo havia acontecido. Até que meu pai sentou ao meu lado, tirando os cacos em volta de mim, e encontrou um razoavelmente grande…

–         Viu? Agora sou eu e você. Mais um pouco e essa família evapora da face da Terra. HAHAHAHAHAHA. – Era um riso medonho. Ele olhou para o caco que estava em sua mão, já machucando-o. Era afiado. Ele tirou os vidros que estavam na filha e virou o corpo dela de barriga para cima. Kimine olhava esgotada, seu corpo todo doía. Sangue saia de pequenos cortes pelo corpo todo. Ele olhou para a filha e falou:

–         Você tem sorte que ainda seu rosto está bonitinho que nem o do papai. Esses cortizinhos nem ficarão cicatrizes feias, serão praticamente imperceptíveis. Mas não se engane. Vou deixar minha marca também.

O vidro entrou em seu ombro igualmente quando um jogador toma uma bolada na cara. A dor foi de imediato, mas muito mais doloroso e insuportável. Kimi gritou com toda a força que restava e foi apagando… Mas ainda sussurrou:

–         Papai… Por quê…? Eu te…

Seu pai parou, em choque. Largou o caco sobre o chão. Saiu num salto de perto da filha. Olhou desorientado para aquele corpo. Olhou em volta da sala. Água e vidro por toda parte e outro corpo caído num dos sofás. Ele entrou em desespero. Sentou ao lado da filha novamente e viu que sua mão estava cheia de sangue e cortada. Não se importou, as fechou com uma força descomunal e começou a chorar. Chorar muito.

“Papai… Não chore… Eu te amo tanto” – Kimine estava praticamente apagada, mas ouviu os choros, os gritos, que por vezes pareciam urros de tristeza… Ela sabia que aquele homem sentado ao seu lado, era seu verdadeiro pai. Aquele pai que ela amou tanto, e que até hoje espera que ele volte…

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