Capítulo 22


Fanfic: Uma Nova Esperança

Cap 22

Kimine terminou de falar. Por mais doloroso que fosse, ela não desistiu em nenhum instante de contar sobre sua história.

Yuki estava em silêncio. Não sabia como formular algo para dizer. Ele pensava em mil e uma coisas, mas não achava palavras para confortar a amiga. Não dava pra fazer mais nada, a não ser aceitar que aconteceu e seguir em frente. Sem se afastar dela.

“Nunca pensei que seu passado fosse tão horrível. Talvez eu não passei nem metade do que você passou. Então… Com certeza não foi fácil.”

Machi não sabia como reagir. Foi tudo muito surpreendente. A escuridão, a cicatriz incomodando-a, a solidão… Tudo agora fazia sentido para Machi. E agora via porque a amiga ficava angustiada com aquilo. O medo fazia sentido agora. Era horrível demais para ser curado com simples palavras, ou com lágrimas. Ainda assim, Machi se sentia mal por não poder fazer nada. O que falar? O que fazer? Como alcançá-la? Machi começou a chorar, não pela amiga, mas por ela mesma. Por ser um pedacinho de tudo que Kimine viveu. Machi chorava, ainda sentada. Se sentia desolada. Parecia um bichinho perdido, sem saber o que fazer. As lágrimas não paravam de cair, e sua boca não conseguia formular nenhuma palavra. Machi simplesmente perdeu as forças.

Momiji estava em piores condições do que os outros dois. Seu choro não era escandaloso. Desciam poucas e dolorosas lágrimas. Ele não estava sentado na mesa, ele estava com um aspecto como se estivesse morto por dentro, longe dos outros. Momiji estava sentado no chão, com suas costas encostadas na meia parede da cozinha, como se estivesse se jogado ali. Ele levantou um pouco o rosto, ainda triste, e olhou para Kimine, de perfil. Ele também estava triste, chorava, com sua mão no rosto. O Coelho voltou a olhar pra baixo e passou uma de suas mãos no cabelo, tentando pensar. Momiji estava extremamente abatido.

Kimine voltou a falar, segurando o choro:

–         Depois disso só lembro-me do hospital, dos meus avós estando do meu lado… Fiquei 1 mês  internada, por causa de alguns cacos menores que ficaram dentro do meu corpo e infeccionaram, então, corria riscos. Depois fiquei mais 5 dias já na casa dos meus avós, de repouso. Eles que passaram a cuidar de mim desde da tragédia. – Kimine parou por uns segundos e bebeu mais água e continuou – O ginasial foi torturante. Os boatos eram grandes, e sempre exageravam nos fatos. Ou me temiam demais ou as gangues me perseguiam toda santa semana. Eu não era mocinha nem vilã… Os professores sempre me suportaram por não ser uma má aluna, o mesmo para a direção. Mas também não tinha um lugar pra mim. Eu era diferente…

–         Mas agora você tem um lugar. Você é algo, e sempre foi. Você tem amigos, o Grêmio… Você ri conosco, se diverte, chora como uma pessoa normal. – Yuki explica calmamente para Kimine – Eu também fui deixado de lado. Também tive medos, mas estou aqui. Feliz. Por isso, não caia. Não desista. Tenho certeza que de hoje em diante, você não ficará sozinha.

Kimine apenas sorriu fracamente, mas com algumas lágrimas no rosto. Estava mais tranquila com a explicação do Yuki. Era verdade, não tinha mais porque ficar triste. O passado já passou! Kimine foi lavar o rosto no banheiro, para melhorar o visual. Na volta, viu que Momiji havia saído, sem dizer nada.

–         Yuki… Você disse que… Cadê…?

–         Calma, não chore de novo. Ele não desistiu de você.

–         Mas então…

–         Ele apenas não se conforma. Não se conforma com si mesmo… Não se preocupe, ele voltará ao normal.

Aquelas palavras de Yuki não faziam sentido para Kimine. Por outro lado, Machi já havia voltado a seu estado normal, bufando pela atitude do Coelho e afirmou:

Vamos dormir aqui com você hoje, Kimi-chan. Não se preocupe com o Coelho idiota.

Kimine percebeu que era a primeira vez que Machi a chamava de Kimi-chan…

**

“Como eu pude? Como fui capaz de não perceber? Como fui cruel a tal ponto?”

Momiji corria pelas ruas. Sem parar. Mesmo sem fôlego para continuar correndo, continuou até se esgotar por completo e cair no chão. Levantou-se,  se queixando de algumas dores, e se apoiou nos joelhos, arfando de cansaço. Buscava ar a cada segundo para preencher seus pulmões. Não conseguia buscar mais ar, por quê? Momiji começava a chorar, a manchar a calçada onde havia caído, de lágrimas.

–         Olha, só nós somos os loiros da escola! – Momiji comentou, sorrindo

–         Ah, mas e aquela amiga da Tohru? – Kimine estava falando de Arisa – Ela também é loira. E tem outras alunas também…

–         Mas os dela são tingidos. E as outras alunas também tingiram. Só nós temos o loiro natural. Eu herdei da minha mãe, que é Alemã. E você?

Kimine ainda tinha alguns machucados da última briga. Só faziam cinco dias desde que se conheceram. Todos os dias eles conversavam na hora do almoço. Kimine riu e pensou:

“ Ele percebeu que meu loiro é natural… Interessante…”

E finalmente respondeu ao coelho:

–         Ahn… Eu herdei de meu pai. Apesar que não é o mesmo loiro. O meu tem menos brilho que o dele.

–         Ah é? Que legal, e de onde ele veio? Pelo jeito, não é Japonês.

–         Não é não… Ele veio da Suécia… – Depois de responder, a loira volta a comer seu almoço.

–         Aahhh, então quer dizer que você carrega o sobrenome de seu pai em vez do Japonês?

–         Ah, isso… É meio complicado explicar isso. Como aqui carregamos o sobrenome do pai, sim, eu tenho o sobrenome Sueco, mas o problema é que não deu muito certo aqui. Desistimos de usá-lo e passamos a usar do meu Avô. Aoyama. É mais fácil para o povo Japonês também…

–         Ah sim, faz sentido… E qual é o sobrenome Sueco?

–         Mellberg, meu nome seria Kimine Mellberg, mas deixei Aoyama desde do Ginasial. Mas seu eu quisesse, poderia deixar Kimine Mellberg Aoyama. Mas preferi escondê-lo.

–         Por que?

–         Na escola primária meus pais deixaram o Mellberg e não deu muito certo. O pessoal da sala já começaram me irritar com isso… Era difícil de falar e diferente pros costumes japoneses. Quando era menor, meu olho também era mais azul, então desde lá zuavam com minha aparência, não por ser feio e sim porque era bonitinha demais, achavam que não merecia estar lá por não ser japonesa…Mas isso nunca foi culpa minha. No ginasial mudei o sobrenome, e passei usar calça para as garotas pararem de encher meu saco. Mas não ajudou muito…mesmo escondendo o sobrenome acho que as coisas até pioraram… Sempre fui perseguida…

**

As lágrimas continuavam a cair, mas ao invés de apenas vê-las se formando sobre o chão, começava a cair muitas gotas de água. Foi então que Momiji olhou para cima, e percebeu que começava a chover forte. Chuva de fim de Verão. Estava no fim da tarde, praticamente anoitecendo, mas Momiji estava imóvel, não se importando para chuva. As lembranças voltavam, e Momiji se torturava cada vez mais.

“Como pude não ajudá-la com os problemas? Ela os contou pra mim, mas eu ignorei. Fui tão egoísta… Naquele tempo eu só a usei para não me ferir, para não sofrer com o restante… Eu… Fui horrível…”

**

– Oi Kimi-chan! Bom dia!

Aquele loiro era sua marca. Momiji a indentificou de longe e num instante. Mesmo com a garota de costas para ele. Ela por sua vez, virou-se para Momiji.

– Oi, Momiji. Bom dia.

Kimine estava com um machucado no rosto, mas coberto por um curativo. Já faziam meses que se conheciam.

–         Nossa! O que aconteceu com seu rosto?

–         … Só uma briga. Quando saí da escola, me esperavam na esquina. Mas consegui pará-las.

–         Caramba… Você adora uma briga. Mas então, vamos passar o almoço juntos hoje? Queria conversar com você.

–         Pode ser…

–         Ok! Está combinado

Momiji saiu pelos corredores, dando as costas para Kimine. Ele só parou de andar, quando ouviu um grupo de 4 meninas fofocarem sobre a loira.

– Você souberam da última? Sabe a novata estrangeirinha? Umas deliquentes de outra escola esperaram-na na esquina da nossa escola. E não é que a novata deu conta de 4 garotas?

Uma das outras garotas também comenta:

–         Soube que ela desmaiou duas e afugentou as outras duas. Pelo que entendi, ela sabe lutar muito bem… Medonho!

A garota que começou a fofoca, complementou:

–         E agora ela está grudada com o Momiji. Que sem vergonha! Ele não merece essa delinquentizinha.

–         Hey, mas você viu as notas dela? Soube que na classe dela, ela é uma das melhores alunas, senão, a melhor. – Uma das alunas retruca

–         Quem se importa? Só quer se aparecer. Isso não muda o fato dela brigar por qualquer coisa. Imaginem se ela resolve brigar com alguém como nós ou alunas normais? Essa escola cai totalmente no conceito das pessoas que moram na região. Deprimente…

Momiji ouviu tudo sem falar nada. Sem discordar, sem discutir. Ele apenas se voltou para as costas Kimine, que terminava de andar pelos corredores.

**

Trovoadas e mais trovoadas. Momiji andava pelas ruas na chuva forte. Nem se importava com o que se passava naquele momento. Durante 18 meses não acreditava que tinha sido frio, que tinha sido cruel a esse ponto. Momiji se culpava. Não queria que tivesse sido assim, queria voltar no tempo e dizer no primeiro dia que a ajudaria sempre. O coelho chorava, misturando lágrimas com a chuva. Começou a se lembrar da praia, dos momentos na escola, das risadas. Agora…

Ele voltou a correr. Passando pelas ruas como o vento, nunca tinha corrido tanto. Queria fugir daquilo tudo, mas sabia que não podia, tinha de encarar uma tal pessoa. Kimine. Encarar porque afinal…

Momiji foi diminuindo o passo até parar perto já da Sede. O choro havia cessado. O que seu rosto demonstrava agora era palidez, um vazio descomunal. Ele já sabia a resposta, já sabia de seus sentimentos, mas como encará-la agora?

Ele se deixou  cair na calçada, já encharcado. Não importa o erro mais. Mesmo se culpando… O loiro como num sussurro, falou para si mesmo, na rua solitária, que parecia ser sombria agora.

–         Eu ainda a amo. Não deixo de te amar, mesmo tendo eu feito coisas horríveis. Eu te amo, Kimine Aoyama. Desculpe por tudo…


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