Eu sou o Número 1!


Zoro treinava incessantemente desde que Kuma o levara para Kuraigana. Nada de descanso e sim cicatrizes a mais. Por vezes Mihawk pegava mais pesado, resultado de mais ferimentos e às vezes até desmaios. E Perona estava lá, mesmo que contra a vontade e odiando aquela ilha, acabava se tornando a enfermeira de Zoro. Ou era isso ou iria ter de enfrentar Mihawk, o que não é uma boa ideia em aspecto algum. 

Agora pense na relação dos dois. Uma reclamona e mimada e um frio e seco. Uma que gosta de atazanar os outros e outro que sempre cai nessas provocações. Perona é, falando bem resumidamente, muito pior que a Nami nisso. Aguentá-la é mais uma prova de fogo para o Marimo. E mesmo depois de meses, nenhum dos dois sequer conseguiram uma pequena amizade. Nada. Até Mihawk ficou desapontado. Antes ele achava até divertido as picuinhas dos dois, mas depois começou a irritá-lo a ponto de não querer mais aquela mulherzinha ali. Os dois são grandes o bastante para pararem com isso, e vem daí o desapontamento do olhos de falcão. 

Ai que vem o fatídico dia. Um belo breu tomou conta da ilha, mais parecia um monte de nuvens pretas do que uma ilha, para ser exata. Ao estilo Thriller Bark de ser, Zoro estava lá, treinando dessa vez com os gorilas, pois Mihawk saiu sem dar satisfação. Perona não tinha mais com o que se distrair e resolveu ficar ali, observando a brutalidade daquele ser de cabelo verde. Estava ali desde que tinha acordado. Quanta chatice treinar dia e noite, com chuva ou sol… Perona só queria algo divertido para fazer! Olhava pros lados, ao redor, tentara sair da ilha até, mas nada. Não havia absolutamente nada para se fazer naquele maldito lugar. Bufou e abriu seu guarda-chuva, pois começou a chover. Voltou a se concentrar no treino de Zoro mas já estava difícil de ver alguma coisa. Nem se preocupou mesmo…Só estava ali por azar. Que lugar imbecil para ser mandada. Adorava coisas assombrosas…

– MAS EU NÃO QUERIA ISSO!!!! – A madame gritou com toda a revolta dentro de si.

Ninguém respondeu, ninguém respondia, era o normal. Desistiu de reclamar e abaixou o rosto com a feição já cansada daquilo tudo. Esses longos minutos rendeu alguma coisa. Ela ouviu – além dos relâmpagos esmagadores que passavam por ali sem ela ao menos ligar – um grito, talvez um urro. Se concentrou no barulho e viu que Zoro estava se dando bem no treino. Tirando que depois de algum tempo ela o viu sangrando e tentando sair dali. Havia perdido, não o duelo, calma aí! Com a chuva ele não conseguiu mais identificar os inimigos e acabou tomando algumas pancadas. Como a chuva piorou, os gorilas fugiram, deixando o espadachim meio perdido, nem sabia onde estava – Convenhamos, ele nunca sabe. Começou a andar sem rumo e gritou para ver se aquela mulherzinha irritante pudesse ajudá-lo, não conseguia definir nem um palmo na sua frente, por isso, como havia visto a mimadinha sentada num canto qualquer, gritou apenas para dizer que estava ali. Demorou para ver um dos negativos dela. E foram eles que o guiaram, apesar dele xingá-los todo tempo dizendo que estavam indo para o lado errado.

Ao encontrar Perona, murmurou alguma coisa que a garota nem se deu o trabalho de se preocupar e logo foi levando-o para o castelo. O ferimento não era nada demais, mas com a chuva e os vendavais, acabou piorando um pouco. Naquele momento não dava para treinar. A garota negativa teve até de fechar o guarda-chuva, pois ele se tornou inútil.

Logo que entraram, Zoro já se familiarizou. Perona o deixou e foi se trocar, odiava ficar encharcada. Tomou um banho rápido e se trocou, ao descer para ver os ferimentos do espadachim, não o achou em seu quarto ou nos banheiros.

“Ah, deve ter se perdido de novo”

Ficou ali na sala, jantou, brincou com seus ursinhos escrotos e chegou a cochilar um pouco até Zoro aparecer. Ele estava nervoso, um pouco cansado e pálido. Ainda estava encharcado.

Perona observou e começou a rir:

– Deixa eu adivinhar, você pensou em tomar um banho ou se trocar para começar a treinar aqui dentro mas não achou o seu quarto e voltou para a chuva. Se perdeu de novo, tomou mais chuva, não sarou o ferimento que tomou e está sem comer até agora.

Ele a olhou, com muita raiva. Jamais ia admitir aquilo, mas a resposta já estava em sua cara.

– Ah, acho que eu acertei!

– Ora, sua!

Zoro fechou o punho e ousou aumentar a voz com a negativa e teve muita vontade de dar umas porradas nela. Se conteve e ainda ouviu poucas e boas com aquela voz estridente:

– Nem ouse aumentar a voz comigo! Não me subestime, Roronoa Zoro!

Um negativo passou por Zoro e mesmo com toda a força de vontade do mundo, o marimo acabou cedendo. Ficou depressivo.

Perona aproveitou isso para jogar um pouco mais de negativos e assim, analisar o ferimento. Estava mais feio e a chance daquele idiota ficar com febre era considerável, até porque, ele não parava um minuto sequer e os treinamentos eram muito rígidos, seu corpo não é de ferro.

Bufou mais uma vez, toda vez tinha que deixá-lo em condições razoáveis. Se estivesse sozinho estaria muito pior. Aproveitou que ele estava sensível e o levou para o quarto. Tratou basicamente e saiu. Voltou com a janta e viu que ele já havia desperto.

“Caramba, não sei como ele consegue ficar bom em minutos. Esse homem não é um ser humano, é um monstro.”

– Aqui está, a janta. Provavelmente você está com fome. Ela deu para o espadachim, que ainda estava deitado na cama.

Ele ficou em silêncio, ainda sentindo as dores dos ferimentos. Perona pensou em sair do quarto, mas achava que precisava dizer algumas coisinhas pro Marimo.

– Eu te ajudo a achar o castelo e você ainda consegue a proeza de se perder dentro da sua temporária casa que está há mais de ano!

– Fica quieta, sua patricinha. Eu encontrei o lugar do mesmo jeito.

– E você vai encontrar Sabaody do mesmo jeito também? Você não consegue chegar no banheiro sem se perder, seu idiota.

Zoro soltou um olhar de fúria e no mesmo instante foi contido por dois negativos ao mesmo tempo.

– Fraco assim tu não ganha dos meus negativos. Fique quieto e me ouça, seu cabeça oca.

Ela esperou alguns minutinhos para Zoro deixar de falar que queria morrer e se sentia uma merda batida. Obviamente ela soltou algumas risadas ao ouvir o Marimo soltar tantas ladainhas depressivas. Quando Zoro voltou ao normal, ele achou melhor só ouvi-la em vez de tentar feri-la, ficar naquele vai e vem de depressão não era com ele.

– Você acha que eu quero ficar nesse lugar que não tem nada? Eu só vou conseguir sair daqui com alguma bussola ou com você. A bussola eu duvido que o Mihawk tente me dar alguma, ele só quer me usar nesse fim de mundo enquanto fica se divertindo pelo mundo. O que sobrou? Pois é, pelo visto Kuma não me mandou aqui por nada.

Zoro conseguiu entender o que a garota fantasma dizia, mesmo estando um pouco atordoado ainda.

– Kuma te trouxe aqui porque ele também sabia que eu ter dificuldade de voltar?

– Até que pra um idiota como você, entendeu bem a situação.

Ele olhou com escárnio.

– Então, vamos fazer um trato? Eu te levo até Sabaody, e pelo que vi não é longe daqui, Mihawk escolheu um bom lugar para poder ir e vir na Grande Rota quando quiser. Eu te levando também consigo o que eu quero, que é sair desse maldito lugar.

Zoro pensou por um tempo, mas achou melhor concordar em vez de ficar rodando por anos a Grande Rota para chegar em Sabaody. Não ia trazer preocupação para Ruffy. Tinha de chegar lá com vida.

– Tudo bem, é um trato.

Os dois deram as mãos, em concordância

**

“Liberdade é uma coisa muito boa, fazia tempo que eu não sabia o que era isso. Em Thriller Bark fiquei anos enfurnados no meu mundinho de bichinhos de pelúcia e mais dois anos numa ilha com ogros e monstros. Eu decidi que agora vou seguir meu caminho na parte bem clara em vez de amar a escuridão e as sombras. Aquele espadachim idiota não é tão idiota quanto eu achava que era, apesar de ser bem frio, ele me contou algumas coisas de seus amigos e vi que nunca descobri o que é ter uma amizade. Hoje eu tenho dó dos meus bichinhos que eu considerava amigos.

O fim disso é: Eu e o Zoro não nos damos bem, nunca vai dar certo uma aproximação nossa. Ele é um chato varrido, mas tenho certeza que se nos vermos novamente por aí, vamos ajudar um ao outro. Do nosso jeito. Mas acho que ele me salvaria assim como eu fiz em Kuraigana.

É minha vez de descobrir a amizade, Roronoa Zoro. O número 1 a chegar em Sabaody…Ironia do destino ou não, ele vai se gabar disso até os confins do inferno.”


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Uma resposta para Eu sou o Número 1!

  1. Marcelo Silva disse:

    Só não acho que Zoro daria tantas informações sobre a tripulação ou ações deles.
    Quando comecei a ler pensei que você iria dar uma possível causa para o olho ou “falta dele” ….

    Mas gostei, foi mesmo muito bom…
    Deu uma baita vontade de ler tudo novamente!

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