Interminável


Estamos numa pacífica época de uma pacífica ilha. Ainda assim muitoshabitantes da Grande Rota, Novo Mundo e até dos outros quatro mares dizem que não existe época de paz, não existe mundo pacífico, até porque, a quantidade de pessoas perigosas que estão por toda parte é algo inumerável. O novo Governo Mundial e a repercussão que os piratas do Chapéu de Palha sacudiram no mundo não foram capazes de assegurar a todos. Mesmo após tanta guerra, tanto sangue e tanta dor…

– Hein, Luffy, é capaz de seguirmos em frente agora? – A voz rouca de Zoro mostra sua desolação. Ele está num monte da tal ilha pacífica. Tudo calmo… Sem barulhos de bombas, de espadas se digladiando ou de desespero de quem estava à beira da morte. Zoro estava tão acostumado a isso que se incomodou com o silêncio daquele lugar…

O marimo não estava sozinho. Ali, naquele mesmo monte, à poucos metros atrás dele estavam os outros. Arrumavam o que parecia ser barracas. Sanji se aprontava para preparar a comida, tendo ajuda de Chopper e Robin. Nami organizava tudo que era necessário naquele momento: papéis, bússola, cadernos importantes usados em todas as viagens que fez no bando, roupas. O que ninguém conseguia organizar eram seus pensamentos quanto ao futuro e seus próprios sonhos. Haviam conquistado tudo! Tinham lembranças incríveis de todas as viagens, de tudo o que passaram juntos, da guerra que atordoava o mundo e que saíram vitoriosos juntamente com os revolucionários e aliados. O mundo havia mudado, e eles continuaram a seguir seus outros pequenos sonhos. – que não conseguiam priorizar quando tinham o dever de fazer Luffy um Rei e realizar seus principais sonhos. Qualquer coisa que lhe valessem a pena, mas agora… onde seguir?

– Ei, Zoro, seu bostinha, venha cá para nos ajudar, seu dorminhoco de meia tigela. – Não é estranho alguém como o Sanji chamá-lo com palavras tão calorosas.

Todos estavam reunidos esperando para o almoço, enquanto tentavam se restabelecer dos acontecimentos recentes, ajudavam no que podiam ou ficavam pensativos sem saber o que conversar, o que fazer e como o mundo iria absorver isso. Usopp foi o primeiro a falar com todos:

– Ei, pessoal, sei que é estranho ter de conversar sobre isso…Mas o que diabos vamos fazer daqui pra frente? Quanto tempo viajamos juntos? Contando tudo são mais de 10 anos!

– Mas…Não podemos continuar com o bando, com essa bandeira…Ei, pessoal…o que o Luffy faria?

– Nami, se o Luffy estivesse entre nós ele seria nosso capitão! Ele não está mais! Não dá pra pensar como ele – Gritou Zoro, ainda inconformado com o fato do seu capitão não estar mais com vida.

– Hey, seu cabelo verde de merda, não grite assim com a Nami. Não estamos discutindo nada. Só queremos tomar um rumo, então é melhor para de ficar se doendo por quem está até morto!

– O que você disse, sombracelha mágica?

Os dois começaram a se confrontar até que Franky e Robin pararam os dois. Franky continuou:

– Agora não temos mais a vontade de nosso capitão, ele realizou tudo que tinha pra realizar. O que temos que decidir é, cada um vai tomar seu rumo e ir pra qualquer lugar ou querem se manter juntos? Não somos mais um bando. Nunca mais seremos sem o Luffy. O que está em jogo agora é a nossa vontade. Não é uma vergonha ele ter ido embora, ele morreu com honra e espero que eu não tenha que lembrar vocês disso sempre.

Todos encararam o carpinteiro. Ele tinha razão. O embate dos inimigos passados de Luffy, que participaram da última guerra, era aguardado por todos. Alguma hora isso acabaria acontecendo, e nem sempre o bando sai vitorioso. O mundo não é pacífico e mesmo que Luffy fosse considerado o homem mais forte do mundo naquele momento, até eles, até os heróis sucumbem. Luffy mais uma vez protegeu o seu bando, mas dessa vez, sua vida foi levada. Muitas pessoas iriam achar que a morte dele foi em vão, besta e sem sentido, mas nenhuma dessas pessoas estava na mente e no corpo de cada Mugiwara que vira aquilo. Um único homem capaz de se matar e levar todo o restante de inimigos que tinha, sem deixar que ferissem seu bando. Como não se culpar?
Todos ficaram em um silêncio sombrio, como se cada um lembrasse o momento que Luffy sorria e, logo em seguida, seu corpo caía sem forças no chão, e sem sangue percorrendo suas veias, sem seu coração estar batendo, sem seus pulmões puxarem ar. Morto juntamente com seus inimigos que não acreditavam naquilo, que gritavam com ódio de estar morrendo também. Sunny foi o sacrifício do chapéu de palha e se Franky não tivesse conseguido pegar o corpo antes do Sunny sumir nas labaredas de chamas, nem poderiam fazer um velório e um enterro num lugar apropriado. Choraram pelo Sunny, pelas lembranças e por Luffy.

Depois de minutos torturantes e desoladores, Chopper falou, já chorando:

– Eu…Eu não quero…Eu não quero ficar longe de vocês! Eu acho que não suportaria ter de viver pacatamente numa cidade qualquer e lembrar de tudo que passamos juntos! Mesmo que tenha minha cidade Natal, não dá! Minha vida é estar com esse bando, com quem eu passei minhas histórias mais divertidas e emocionantes!

Robin, pela primeira vez desde que vira a morte de seu capitão, falou:

– Eu não tenho para onde ir, a não ser estar do lado dos revolucionários. Mas todos tem plena consciência que agora… não há lugar para nenhum de nós. Tenho certeza absoluta que mesmo que cada um aqui vá para sua cidade natal não será a mesma coisa. Todos os sentimentos e lembranças estarão voltados para esse bando, que infelizmente não existe mais. Eu não consigo cortar essa aliança, essa ligação que todos nós temos. Não mais.

– Mas e as nossas famílias, Robin? É tão estranho ter de pensar em continuar a viajar por ai a fora sem motivo! Sem as famílias! – Nami já não falava, confundia palavras com os sentimentos. Era a de longe que mais sentia desespero, tristeza.

– E quem disse que não somos capazes de trazer eles para perto de nós? – Diz Robin, novamente. Todos a fitaram por longos segundos até voltar a pensar. Sanji supôs:

– Você está falando para juntarmos as famílias e morarmos juntos?

– Eu não tenho família, não tenho que buscar ninguém. Olhem para essa ilha. Quer um enterro melhor que esse? Nosso capitão está voltado para o mar! Daqui a pouco o mundo saberá de sua morte. Qual o problema se eles souberem de um novo país?

Todos olharam perplexos para Robin. Era uma ideia, mas todos os amigos próximos topariam? Vila Syrup., Vila Kokoyashi, Ilha de Sakura, Laboon, Baratie?

– Eu também não tenho a quem trazer, porque vocês não tentam? Eu e Robin vamos nos virando para começar as obras. – Diz, Zoro, sereno e já aceitando a ideia.

– Ei, ei, ei, Espadachim, não brinque dizendo que vai construir uma cidade da noite pro dia. Se queremos nossos parentes aqui, que construamos uma cidade primeiro. Ela tem que ter tudo que eles estão acostumados em sua vida. Eu gostei da ideia de criar um país bem onde o Rei dos Piratas morreu. E acho que ninguém aqui é contra… Então… que tal começarmos a por tudo isso no papel daqui pra frente? Temos até o fim de nossas vidas! – Falou Franky, já imaginando como começar uma planta

Todos assentiram e começaram a se reunir, eufóricos.

**

No monte calmo, na ilha sem nome, que ninguém da própria cidade ousou dar. Foi obrigada a carregar um nome por dedicação. Monkey Town não é nada criativo, mas virou simbólico, turístico, pacífico. Preferiam chama de Ilha sem nome, apenas lembrada pelos fantásticos habitantes, dos fantásticos restaurantes, pés de laranjeiras, livros históricos e fictícios, de concertos musicais à teatrais, de um exército considerado o melhor do mundo, de pessoas que trabalham e cuidam carinhosamente de tudo que tem vida. Florestas, animais e pessoas. No monte daquela cidade…

– Ei, Luffy, gostando do pôr-do-Sol de hoje? – Falou, Usopp, orgulhoso. – Depois de tanto tempo… nem parece que faz 5 anos desde sua morte. Aqui está dando tudo certo. Os piratas que não sabem a essência de ser livre ou de ter sua bandeira hasteada e pisam nessa ilha, são destruídos por nós. Sempre… para todo o sempre levaremos essa única vontade que você tinha e que podemos carregar conosco. Você já sabe disso, mas… Kaya está grávida. Os 3 pirralhos que você conheceu na minha vila estão enormes. Tem treinado mais e mais e estão no exército com Zoro…

– Oi, capitão. Eu aprendi com você que não adianta ficar inconformado por uma coisa que já está feito. Você morreu e eu ficava me culpando a cada dia que eu tinha que ser mais forte para proteger você também. Eu não admitia que você estava morto… Mas nunca vou me esquecer de todas as revelações, lutas e aventuras. Estou no comando do exército, e acredita que tem muitas mulheres extremamente fortes? Eu acho que dessa vez meu mestre errou dizendo que uma mulher não pode ser mais forte que um homem. Ah sim… Eu trouxe um pouco de saquê pra você. Robin vai falar o resto, porque senão vou ficar mais um bom tempo falando.

– Luffy. Monkey D. Luffy, eu não acreditaria que passaríamos por tudo que passamos. Você me dando um chapéu para provar que confiava em mim e que me protegeria, que era um cabeça vazia que me divertia, que me deixava confiante, que me fez ser uma nova pessoa. São lembranças muito boas… Acho que posso dizer que te amei… Mas ah, mudando de assunto! Finalmente eu terminei o Mapa Mundi, agora contando com o nosso país. Nojiko se casou e tem uma filhinha linda, virei titia! Todos que você conheceu em Kokoyashi estão aqui, tem plantações deliciosas de laranjeiras! Crescemos tanto… Nosso país está quase do tamanho de Alabasta populacionalmente, crê? Vivi vem nos visitar frequentemente. É tão divertido! Pena que ela não pode vir hoje, nesse dia especial, mas ela me deixou uma lembrancinha de Alubarna. Vou deixar o melão com presunto aqui, tá? Eu sei que você adora…

– Nada melhor do que ficar sempre olhando pro mar, hein, Luffy? Você ia adorar esse lugar, ainda mais a comida. As melhores comidas estão aqui, sabia? Claro que é porque aquele velho que ainda está vivo, lembra? É, o velho Zeff está firme e forte com a equipe dele. O Baratie não morreu não, eles ficam nas costas da cidade e às vezes saem em temporadas ai pela Grande Rota, então esse ano eles foram considerados os maiores cozinheiros. Eu construí um restaurante na cidade também, ele é bem badalado. Mas eu não resisto, sempre tem uns piratas folgados e até gente da marinha que ainda não vale nada. No fim eles apanham também. A maior novidade minha é que eu parei um pouco de fumar porque minha esposa fica falando sempre. Viu? Eu casei! Ela é linda, você precisava conhecer… Bom, enfim, te trouxe a melhor carne da cidade, sua comida preferida.

– Que coisa, capitão, nunca mais vou poder ouvi-lo cantar… Tenho saudade de quando fazíamos nossas festas e farras, que cantávamos até ficarmos roucos. Laboon está na guarda da ilha! Sempre corajoso, avisa quando tem algo errado. Aquele grito não é mais de tristeza, está feliz como nunca. O Doutor Crocus faleceu ano passado, mas também fez sua história. Ele e Chopper se deram muito bem! Luffy… eu sempre vou tocar a sua música… para você nunca esquecer que cantar faz parte de ser um pirata!

– Eu não tinha um lugar e até sentia raiva de carregar o nome que tenho. Era sempre perseguida por tê-lo. Mas eu encontrei um lugar, uma paixão, um motivo para estar viva e realizar meus sonhos, por mais difíceis que sejam. Eu conquistei o meu… Descobri tanta coisa, Luffy. Nesses 5 anos parece que minha sabedoria dobrou! Aqui na cidade montei uma biblioteca imensa, dos mais diversos temas, sejam livros técnicos ou de histórias para as crianças viajarem em pensamentos. Muitas delas já querem se tornar arqueólogas! Fico feliz de poder ver minha profissão voltando a existir! De verdade! Eu ensino cada criança dessa cidade… Enquanto Zoro está lutando, se machucando, estou trazendo a inteligência. Ironia? Não sei… Mas estamos juntos. Nami e Chopper me ajudam bastante com o conhecimento das crianças, são professores excelentes, apesar de muitos terem medo da nossa navegadora esquentadinha e do nosso peculiar médico. Somos considerados a primeira cidade a ter uma estrutura escolar muito boa. O seu pai aparece aqui de vez em quando para fazermos algumas reuniões, trocar informações. Enfim, ele agora está no GM afinal. Ele deixou um pequeno presente para você.

– Quando resgatei seu corpo daquele fogaréu… Eu já sabia que eu tinha de fazer algo mais. Construir coisas que protejam as pessoas. Você acredita que o Iceburg não quis vir pra cá? Ele ama aquele cidade, ele é imagem carimbada de Water Seven, seria difícil trazê-lo, mas Paulie e mais alguns carpinteiros que você não chegou a conhecer veio pra cá me ajudar na estrutura da cidade. Sim, sim, eu construí praticamente tudo. Sou grato por me mostrar que as armas não foram feitas para machucar, mas proteger aqueles que merecem ser protegidos. Eu não fui mais capaz de fazer um barco, mas fui capaz de abastecer uma quantidade razoável de armas para o exército e montar barreiras perfeitas e que não deixam a cidade nem um pouco feia. Eu desmontei algumas coisas do meu corpo por não ser mais útil para tantas batalhas. Mas eu ainda continuo legal e o sonho de todo homem! SUPERRR. Eu até construí uma miniatura de um robô para ti.

– Eu fui o primeiro a sentir que não ia conseguir ficar longe de ninguém aqui, Luffy-san. Eu trabalho também como médico, mas procuro ajudar a todos. Muitos de nossos amigos vêm para cidade ver seu túmulo. Boa-chan e seu bando, Ray, Booney. a Margareth até chegou ficar um tempo com a gente. Ela voltou para Amazon Lily mas ela disse que daqui uns dois meses ela está de volta para ficar sempre aqui, vai entrar no exército! A mestre Kureha também não é eterna, né? Foi-se a hora dela ir em paz também, ela e o Crocus-san estão no cemitério da cidade… Dois grandes médicos…Ah… tem tanta coisa que eu gostaria de falar… Mas as palavras do Hiluluk não saem da minha cabeça… Então, Luffy…Você nunca será esquecido, nem por nós e nem pelo mundo. Uma nova era de piratas foi feita, a maioria não se atreve a fazer qualquer coisa, se aventurar por nada. As pessoas estão carregando sonhos. Isso já é uma mudança drástica demais! Então… Eu… Apenas dou parabéns a você, amigo, capitão e sonhador…

Chopper olhou para trás, para os amigos do bando. Estavam de certa forma tristes por não terem seu capitão ali, mas com um sorriso sincero em cada face. Se aproximaram um pouco mais de Chopper, e a rena deu o sinal com a mão… Todos viraram de costas, assim como Chopper, e levantaram seus braços esquerdos. O X estava em cada um deles, provando que enquanto aquele x, aquele braço e aquela ligação existir entre todos eles, a amizade estará persistindo. Gritaram em uníssono:

– Parabéns, Monkey. D. Luffy!

Os braços esticados, os presentes, as lembranças e uma nova era de piratas. Tudo aconteceu naquele monte. No monte sem nome, de uma ilha pacífica de uma época pacífica.

6 respostas para Interminável

  1. Alyson disse:

    NOSSA, ISSO É DE VERDADE?
    OU VOCÊ FEZ?

  2. Thais disse:

    Nossa, eu não sabia se lia ou enxugava as lagrimas, apesar de nunca querer pensar nessa possibilidade, na possibilidade de Luffy morrer… A sua fanfic é ótima, amei o enrredo, essa fic sua realmente me fez chorar, acredite, nunca vi uma fanfic de one piece que me tocasse tanto assim. Obrigado pelo ótimo trabalho!

  3. Fernando disse:

    Fanfic incrível. Realmente é difícil pensar nessa possibilidade, e é isso que a torna tão emocionante. Vc esta de parabéns.

  4. fernando andradade disse:

    Fanfic muito boa chegou até a sair um suor masculino aqui pelos olhos

  5. Luiz Paulo P. P. Oliveira disse:

    Menina… Eu nunca fui muito fan das suas ideias, mas estou começando a te entender (se isso é realmente possível :D)

    Agradeço por ter criado essa Fic, achei muito boa. Seria um final para a série do qual eu não sentiria raiva.

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