Capítulo 2 – A verdade de Weatheria


Nami não olhou pra ninguém, só queria sair daquele antro de pessoas insensíveis e fazer com que o garoto se acalmasse. Quando viu que estava em algo parecido com uma pequena floresta, parou, arquejando. Largou o garoto e o fitou. Era realmente um menino. Como podia um garoto normal desse estar beirando a loucura?

O garoto também parecia cansado mas não se importava muito com isso, preferia manter os tiques de piscar todo segundo os olhos e mexer o pescoço para ambos os lados e olhar o nada. Parecia estar em transe e fora da realidade. Nami não se deu por vencida, começou a chacoalhá-lo e perguntar:

– Ei, menino, qual o seu nome? Vai, diga-me logo antes que eu te bata.

O garoto nada respondeu.

Nami olhou para ele com certa raiva digna da Nami que todos nós conhecemos e logo depois deu um croque na cabeça dele. E perguntou novamente:

– Eu perguntei qual o seu nome, não é muito difícil você responder.

O moreno finalmente olhou para ela, o que pela primeira vez ela viu um indício de sanidade vindo do garoto. Ele parou um pouco com os tiques e balançou rapidamente a cabeça. Após isso olhou em volta, tentando se situar. Voltou para o rosto de Nami e finalmente respondeu:

– Meu nome é Ted. Mais alguma informação moça? Talvez eu te fale o cálculo da área do universo ou de como os átomos trabalham em qualquer corpo vivo e coisas que provavelmente nunca passaram na sua cabecinha.

Quando a navegadora ouviu as palavras do pirralho se arrependeu de ter puxado ele. Arrogante era uma palavra pequena para ele. Fez uma careta para o moleque e novamente perguntou:

– Não preciso saber de nada disso, não me interessa. O que você é afinal? Uma hora fica insano e depois fala como se nada tivesse acontecido. Quem é você, pirralho?

Ted olhou para Nami e no mesmo instante mudou de feição. Ele parecia estar contente falando de cálculos e conhecimentos gerais mas agora ele parecia desolado. Falou, tristonho:

– Sou um gênio, infelizmente.

Foi ai que Nami percebeu. Na casa dos gênios não se havia jovens. Todos eles tinham uma certa idade só que Haredas disse que havia sempre uma prova e os gênios eram escolhidos, mas então…Porque eles não apareciam por lá? Ao pensar nisso resolveu ser mais gentil com Ted:

– Você tem lugar pra ficar? Ou pelo menos está são para voltar?

– Sim sim, obrigado. Qual o seu nome, moça? Acredito que não lhe conheço por essas bandas

– Nami. Vim do mar azul. Pode me chamar de Nami-san – E assim deu um sorriso gentil ao moreno e foi embora para casa. Ted ficou ali, observando-a indo embora com um olhar admirado e falou, quando ela já estava longe:

– Mar azul…

**

Nami chegou às pressas para descobrir mais sobre Weatheria. Tudo lhe parecia claro agora. Foi de encontro ao mestre, que estava no mesmo quartinho que era usado como laboratório. Abriu a porta apressadamente e olhou para Haredas, deu um sorriso torto e perguntou, meio sem jeito:

– Posso me sentar e te fazer algumas perguntas, mestre?

– Claro, Nami-san, à vontade.

Ela o fez e olhou fixamente para o velhinho:

– Me diz, porque nunca sequer vi um jovem gênio nesse lugar?

O velho suspirou, cansado. Olhou tristemente para Nami e respondeu:

– Eles não existem, querida.

– Mas…

– O desafio até hoje, mesmo existindo, não conseguiu mais trazer os jovens. Faz décadas, até me perdi no tempo, que não vejo sequer um jovem vindo para cá. O nosso gênio mais novo tem mais de 40 anos, Nami-san. Todos os outros gênios ficaram loucos e morreram. Mais precisamente, se suicidaram.

Ela olhou perplexa. Engoliu em seco e olhou para a mesa, sem acreditar no que acabar de ouvir. O destino daquele pirralho era morrer, também?

Enfim o velho voltou a falar:

– Apesar de ser muito bom ser inteligente, ainda é um fardo muito grande quando se é jovem. Todos nós nessa morada passamos pelas mesmas coisas, mas hoje em dia os garotos não estão conseguindo superar a própria mente. Acredito que tenha ficado um turbilhão de informações a mais do que na nossa época. Só sei que esse é o maior problema em Weatheria, no entanto que já virou rotina perder nossos gênios. Para as pessoas normais, isso não passa de insensatez… Nenhum deles sentiu o que nós sentimos. Tudo passa pela nossa mente. São mil coisas ao mesmo tempo, definitivamente, não é fácil se acostumar com isso.

Nami-san sentiu uma pontada no peito. Devia ser doloroso para todos. Viu o olhar distante de seu mestre, conformado. Ela fechou os olhos, sem saber o que fazer e saiu do quarto. Precisava conhecer aquele moleque melhor. Não podia vê-lo morrer e nenhum outro se suicidar…Não enquanto ela estivesse ali. Passou o tempo todo no bando sabendo o que era viver e ia ver a vida se esvaindo assim? Não, não mais!

Decidiu que iria estudar para se tornar alguém mais forte e passar o tempo que for necessário para descobrir o que se passava com os adolescentes.

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